segunda-feira, 25 de junho de 2007

Lista do Instituto Americano de Cinema


Em dez anos só quatro filmes ficaram para a história
por Pedro Chaveca in Expresso

Segundo a mais recente lista do Instituto Americano de Cinema (IAC) que inclui os 100 melhores filmes da história da sétima arte, nos últimos 10 anos não se produziram mais do que quatro películas dignas de figurar nessa prestigiada lista.
Os títulos são mundialmente conhecidos e talvez tenha sido esse o problema: “O Senhor dos Anéis – A Irmandade do Anel” (nº50), “O Resgate do Soldado Ryan” (nº71), “Titanic” (nº83) e o “Sexto Sentido” (nº89).
Qualquer bom observador percebe rapidamente que estes são filmes cuja qualidade é indiscutível, mas que foram, acima de tudo, grandes êxitos de bilheteira, vistos por milhões de espectadores.
Excepto o cru e duro “O Resgate do Soldado Ryan”, todos os outros foram Blockbusters, onde muitos dos espectadores estariam mais interessados em debicar gigantescos baldes de pipocas do que na história do filme.
Onde está Spike Lee?
Longe das décadas douradas dos anos 40 e 70 do século passado, em que se produziram filmes como “Casablanca”, “O Padrinho”, ou “O Caçador”, cujos legados são incontornáveis na história da sétima arte.
Ou mesmo dos nostálgicos anos 80, em que Spielberg deu vida a “ET – O Extra-terrestre”, e Ridley Scott colocou “Blade Runner – Perigo Eminente” como um dos melhores filmes de ficção científica de sempre.
Contudo e por pior que os últimos dez anos tenham sido é ridículo e algo disparatado reduzi-lo a apenas quatro títulos. No caso do “Titanic” é notório o peso do Blockbuster, pois a história do naufrágio do transatlântico já foi contada centenas de vezes, claro que sem Leonardo DiCaprio e com muito menos efeitos especiais.
Filmes como “Mistic River” de Clint Eastwood, ou “A Última Hora” de Spike Lee ficaram de fora, assim como o magnifico “O Informador” de Michael Mann com as soberbas interpretações de Al Pacino e Russell Crowe.
A forma como se chegou a esta lista foi bastante simples: O IAC enviou uma lista com 400 filmes (apenas 43 eram da década passada), a 1500 realizadores, actores, argumentistas, actores, e outras personalidades ligadas à indústria cinematográfica, depois cada um escolheria os filmes da sua eleição.
Estrangeiros de fora
Foi esta a forma que o IAC escolheu para comemorar o décimo aniversário da sua lista dos 100 melhores películas de sempre e se na centena de grandes filmes só houve espaço para quatro vindos das brumas da segunda metade dos anos 90, também é verdade que as escolhas foram completamente subjectivas não obedecendo a nenhum critério específico.
Nesta nova lista o primeiro lugar vai para o gigante “Citizen Kane” do imortal Orson Wells e a única longa-metragem vinda dos anos 90 é a “Lista de Shindler”, realizada por Steven Spielberg em 1993. Refira-se ainda que o recentemente oscarizado, Martin Scorsese, aparece em quarto lugar com “Touro Enraivecido”.
A centésima posição está reservada para a história bíblica “Ben Hur” com Charlton Heston, um clássico de 1959.
Uma das mais graves lacunas nesta lista é a ausência de filmes estrangeiros, que nem fizeram parte dos 400 títulos enviados aos júris. Assim a lista, e como se diz na gíria futebolística, “vale o que vale”.
E com filmes de dimensão universal como “A Vida é Bela”, “As Vidas dos Outros”, ou “Tudo Sobre a Minha Mãe”, de fora das escolhas, é quase certo que não valerá muito.

2 comentários:

Zé Carlos disse...

Sorry, mas "a vida é bela" é uma ganda seca.....
E o "Exterminador": I´ll be back!!, isso sim; e os Rocky´s e os Lethal weapon?? essa lista ´s deve ter sido feita pela tertulia do programa da Fatima Lopes.

Poison Ivy disse...

Pois é, são critérios. Lembra-te que são só 100 filmes... É difícil fazer uma escolha consensual.