sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Teste: O que é que o Pai Natal lhe vai trazer?

Boa!

Teias de Sonhos


Depois de ter traduzido a Trilogia das Jóias Negras, já foi publicada a obra que também traduzi e que é composta por quatro histórias que complementam a trilogia e trazem novas abordagens às personagens e ao universo criado por Anne Bishop.

Dominó de quê?

Perguntou-me a Sara o que eu queria de presente para o Natal, ao que respondi: "Uma abdominoplastia". Resposta óbvia: "Dominó de pastilhas?!"

A minha lista de Natal

Face às recorrentes perguntas: "O que queres para o Natal?", aqui vai a minha modesta e egoísta lista:

- Abdominoplastia ou Lipo
- Viagem a país tropical, de preferência Bora Bora ou equivalente
- Uma casa na praia
- Uma tatuagem
- Produtos da Emily, quase impossíveis de encontrar por cá
- Moldura digital
- Eric Draven/The Raven em estatueta
- Estatuetas de fadas e afins que estão na Byblos…
- A casa sempre limpa
- As fotos organizadas
- CDs, filmes e livros são sempre bem-vindos, embora já não consiga dar conta daqueles que andam cá por casa...
- Relógios (claro!)
- Pilhas de relógio eternas, para que não se esgotarem todas ao mesmo tempo
- Menos carros nos passeios
- Mais respeito entre as pessoas, o que implica bom senso e solidariedade
- Consultas médicas mais baratas
- Abastecimento gratuito e para toda a vida de Actimel e gelados
- Locais sem fumo!
- Doces que não engordem, mas que saibam bem!
- Uma mansão de 10 assoalhadas, sem contar com ginásio e piscina
- O primeiro prémio do Euromilhões em semana de Jackpot, sendo a única totalista

Se calhar estou a pedir demais... Vá lá, talvez não precise da moldura digital...

Os quatro elfos dançarinos!

Aqui estamos nós, em elfos. Obrigada, Carla.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Eu, o Armando e a Ana?!

Ainda a propósito do concerto dos Xutos, aconteceu uma história engraçada. Convidei a Ana Pitti para ir ao concerto, mas por não ter conseguido baby-sitter para a Madalena, não pôde ir. Ora, andei à volta do Campo Pequeno à procura de candidato para o bilhete quando, já prestes a desistir e a encaminhar-me para o cinema, eis que oiço alguém a dizer que era uma pena estar esgotado e que não sabia o que fazer. Logo respondi: "Eu tenho um bilhete a mais!". Foi uma explosão de alegria e logo ali efectuámos a transacção. O comprador não se cansava de dizer que estava muito feliz e agradeceu-me milhentas vezes. Depois de uma troca de palavras fiquei a saber que era alentejano de Vila Viçosa, que também assistira aos concertos em Évora, como eu. Durante o concerto fiquei entre o Armindo e o Armando e foi muito divertido! Os alentejanos são assim: alegres, generosos e solidários. É assim a vida, sempre com pequenas surpresas, por isso, Ana, não fiques triste pois com a tua ausência fizeste alguém muito feliz.

As nossas preces foram ouvidas!


Peter Jackson vai produzir "The Hobbit"

A notícia de que as divergências com os estúdios foram ultrapassadas e que o realizador vai transpor para o cinema o romance de Tolkien que antecede "Senhor dos Anéis" está a deixar os fãs eufóricos.
Inúmeros fãs expressaram na Internet o seu entusiasmo com a notícia de que Peter Jackson vai participar, como produtor, nos dois filmes baseados em "The Hobbit", o romance de Tolkien que antecede e introduz algumas das personagens de "Senhor dos Anéis".
O acordo para os dois filmes, que devem entrar em fase de produção em 2009, foi alcançado após ultrapassadas as divergências entre Jackson e os estúdios New Line Cinema. Há cerca de um ano, diferendos em relação ao "cachet" levou a que o realizador da trilogia de "Senhor dos Anéis" tivesse entrado em ruptura com os estúdios. Jackson processou a New Line, alegando que não lhe tinham pago a sua fatia dos lucros relativa ao primeiro filme da trilogia. Representantes do estúdio contactaram depois a produtora de Jackson para lhes comunicar que os seus serviços já não seriam solicitados para a adaptação dos novos filmes baseados no romance "The Hobbit".
"Estou muito satisfeito por termos deixado as nossas divergências para trás, de modo a ser possível iniciar um novo capítulo com os velhos amigos da New Line", declarou agora Jackson. Bob Shaye, co-presidente da New Line, manifestou-se igualmente satisfeito com o acordo, referindo a "paixão, carinho e talento" que Jackson traz para os seus filmes.
Contudo Jackson, que durante a fase de ruptura com a New Line Jackson havia anunciado que irá levar a cabo uma trilogia de Tintin com Steven Spielberg, não irá realizar os dois filmes sobre Hobbit, participando como produtor executivo. A identidade do realizador dos dois filmes (que tal como aconteceu com "O Senhor dos Anéis" serão rodados em simultâneo) ainda é desconhecida. O primeiro filme deverá estrear em 2010 e o segundo no ano seguinte.
por Alexandre Costa in Expresso

20 anos do Circo de Feras


Lembro-me claramente do primeiro concerto a que assisti. Tinha 15 anos e foi nas piscinas de Évora, de roupa preta e lenço vermelho atado ao pulso. Com o meu irmão, a malta de Casa-Branca e outros tantos de Évora. Os Xutos tinham lançado o "Circo de Feras" e esta noite ficou gravada indelevelmente na minha memória. De regresso ao presente, senti-me num autêntico "Regresso ao Futuro" ao contemplar o mar de cabeças grisalhas na plateia do Campo Pequeno (embora muitos elementos de gerações mais novas também marcassem presença) que cantavam em uníssono criando uma ambiente excepcional, de levar às lágrimas. Não foram horas saudosistas, foram momentos de afirmação de uma geração que continua firme e hirta face ao passar do tempo e da vida malvada!









Xutos no Campo Pequeno: casa cheia para 'Circo de Feras'
Data: 09-12-2007
Apesar de percorrerem o país de lés a lés, os Xutos & Pontapés são das poucas bandas portuguesas que conseguem encher recintos cujo espaço é muitas vezes reservado a atracções internacionais. Os fãs respondem ao chamamento como se de uma litúrgia se tratasse, mostrando a fidelidade aos veteranos do rock português que completam em 2009 trinta anos de existência. Esta noite também foi de celebração, neste caso do 20º aniversário do álbum "Circo de Feras", um dos mais emblemáticos da carreira do grupo, de onde saíram clássicos como o tema título, 'Não Sou o Único, 'Contentores ou 'Vida Malvada'. Todos eles foram recordados no espectáculo deste Sábado, no Campo Pequeno - o primeiro de três naquele espaço - perante uma sala praticamente esgotada.
Tal como já havia sido anunciado, para assinalar o aniversário do disco a banda preparou uma produção cénica especial envolvendo performances de circo e não só. Um grupo de percussão e malabarismo, vestido com uma indumentária de tribo urbano-futurista, deu ínicio ao concerto, emergindo do fosso da passadeira que dava ligação ao palco principal. Pouco depois entrariam os Xutos, com capas de ilusionistas e secundados por um ecrã que cobria o cenário por detrás da banda e outros, mais pequenos, suspensos, onde se foi reproduzindo um cuidadoso jogo de imagens, na sua maioria especialmente concebidas para o efeito e para ilustrar cada canção que ia sendo interpretada. A introdução musical seria feita ao som de uma versão instrumental de 'Circo de Feras', a que se seguiria 'Sai Pr'a Rua', a primeira a ser entoada no formato original. 'Não sou o Único' inaugurou a apresentação das coreografias quase sempre tanto mais notadas quanto menos familiares fossem as músicas, já que para estas a entrega das atenções era por inteiro para a banda e para comunhão coral da assistência. Se em 'Desemprego' o desempenho artístico de um dos acrobatas num pilar cativou as atenções e os aplausos do público, que mostrava assim o seu agrado pelo conceito do espectáculo, 'Barcos Gregos' a primeira a evocar outros álbuns foi repetida a plenos pulmões. O regresso a "Circo de Feras" fez-se ao som de 'Vida Malvada' onde à presença do saxofone de Gui se notou a companhia de outra saxofonista que acompanhou a banda ao longo de todo o concerto. 'Sou Bom' deu a saída para o intervalo, anunciado nos próprios ecrãs do cenário, cujo final seria marcado com a entrada de um coro de gospel, em 'Pêndulo' e que continuaria com a banda em 'Estupidez' até um dos momentos mais belos do espectáculo, protagonizado apenas por um solo de João Cabeleira e uma acrobata balançando-se suspensa em cordas. Com 'Esta Cidade' regressaram os restantes elementos e os coros do público, que se estenderiam ao formato acústico entretanto desenhado no topo da plataforma, que levou a banda até mais perto dos fãs. 'N' América' terminou com a "vénia" e a ovação da assistência, que os Xutos retribuiram com 'Homem do Leme', na versão acústica que a converteu em hino e num cenário agora enriquecido com malabaristas manuseando archotes em chama e cículos de fogo no palco. Assim se faria a ponte para os dois ginastas do trampolim ajudarem a repor, com a sua magnífica coreografia, a energia, em projecções psicadélicas, de 'Contentores'. Já em conjunto com os artistas convidados ao longo da noite, a aguardada 'Circo de Feras' daria por encerrada a comemoração, não fosse o encore trazer mais duas, das antigas: 'Para ti Maria' e a tradicional canção de fecho, 'A Minha Casinha'.
Se o conceito de espectáculo com grande produção é parte do vocabulário de muitos grupos internacionais há muito tempo, em Portugal as bandas começam agora a olhar com maior atenção para essa expressão do seu trabalho. E, à dimensão do país, os Xutos mostraram esta noite no Campo Pequeno que estão na dianteira, tal como estiveram em 1979, na cena rock portuguesa.
Ana Tomás
Foto: Mário Guilherme
In Cotonete

Melancia e Companhia









Há os que sempre foram vermelhos por dentro e por fora e há os melancia (como diz a minha amiga Carla). Aqui está a prova de que falam, falam, mas o Benfica é que é!



Cirque du Soleil







Foi um Delirium, é facto. Era tanto o que se passava em palco que os nossos dois olhinhos não chegavam para abarcar tudo. Muito interessante a sobreposição de imagens, o jogo entre o virtual e o real, as imagens a contracenarem com os artistas presentes em palco. Porém, esperava mais para além dos efeitos especiais, quem sabe mais artes circenses, um pouco mais do factor humano... Demasiado dispendioso, apesar do aparato. Fez-me lembrar (saudosamente) os magníficos Arts Sauts.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Feliz!

A propósito do Centro Comercial Alegro:
A Sara saiu-se com esta um destes dias: "Ó mãe, quando é que vamos ao Feliz?"
E pronto, já foi rebaptizado. Agora é o C. C. Feliz para os amigos.

Loucura!

Em menos de um mês abriram várias superfícies comerciais na minha zona. A juntar ao Jumbo, Continente, Conforama, IKEA, Decathlon, Makro, Staples, Seaside e outros que não me lembro (móveis e afins), juntam-se agora o Centro Comercial Alegro, o Media Markt (tenho sempre a sensação de que falta algo neste nome, como a letrinha e entre o k e o t...) e a Moviflor. É a loucura total!... O consumo desenfreado, a romaria aos fins-de-semana e as filas intermináveis. É que, apesar de achar positiva toda esta oferta, o movimento aumentou consideravelmente e é impossível ir para aqueles lados em determinadas horas ou dias. No dia de abertura da Moviflor, as filas de trânsito prolongaram-se dia fora, só porque anunciavam a oferta de 200 TVs aos primeiros clientes... Oh ganância lusa! De certeza que até faltaram ao trabalho ou meteram dias de férias.
É habitual encontrar condutores perdidos que procuram o IKEA. Agora talvez fosse boa ideia montarem um posto de turismo (comercial) para enviar todas estas pessoas para a confusão. Ou então basta dizer: "Olhe, meta-se naquela fila e tenha paciência..."
Apesar dos pesares, fico feliz por ter toda esta oferta à minha volta, mesmo que nem sempre tenha tempo (e $) para andar nestas voltas, a verdade é que é bom saber que tenho tudo a 2 minutos de casa. Gosto do Alegro, embora seja modesto comparativamente ao Colombo, por exemplo, mas tem várias das minhas lojas preferidas, quer para mim quer para as miúdas, tem a Fnac, restaurantes interessantes (comida saudável como a Go Natural ou um Vegetariano) e a fast-food habitual. Além do mais vai ter 10 salas de cinema!
Haja tempo e dinheiro!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Enchanted - Uma História de Encantar


A Sara queria muito ir ver este filme e lá foi com o pai. Gostou muito e achou muito engraçado o conceito dos bonecos passarem a ser pessoas reais. E não faltaram as pipocas. Ah, parece que também mete um dragão...

Dragões da Disney




Que orgulho! Uma das séries preferidas das minhas filhas é o American Dragon - Jake Long, que é um miúdo sino-americano (mãe chinesa, pai americano) que herdou da família materna a capacidade de se transformar em dragão e defender o mundo das criaturas maléficas. É divertida, tem acção e muitos seres mágicos. Pelo meio, surgem os problemas típicos dos adolescentes. Confesso que, sempre que posso, tento ver. Uma das frase preferidas da Lara: DRAGÃO JÁ!


Disney Store Lisboa

A Disney Store Acabou de abrir e já é um sucesso. No fim-de-semana que passou, ainda a loja cheirava a novo, e já estava à pinha, gente pequena de boca aberta, gente grande de boca aberta, pequenos e grandes em êxtase de espanto e encanto. Parece exagero? Mas não é.
A Disney Store é a primeira loja da marca que abre em Portugal e está carregada de fantasia. Não são só os brinquedos de sempre, como o Mickey, a Minnie, o Pluto. Nem são só os brinquedos de hoje, como o Faísca McQueen ou as novíssimas personagens do filme Uma História de Encantar. A loja tem isso tudo mas também tem roupa, tem DVDs, tem acessórios, tem... chocolates. Ou seja, tem tudo o que uma criança pode desejar.
Mas a própria decoração do espaço remete para um universo fantástico. A fachada muda de cor e é cintilante, o chão brilha, os topos das prateleiras reluzem, há uma torre que passa filmes a toda a volta, ou seja, são 360º de imagens projectadas.
Abriu na sexta-feira, dia 23, e no fim-de-semana já era difícil caminhar lá dentro. Gente grande e gente pequena olhava tudo como se tivesse entrado noutra dimensão. Este Natal já há mais um sítio onde torrar o subsídio. Faça um favor a si mesmo. Antes de entrar, respire fundo.
BrinquedosDisney StoreCentro Comercial Colombo, Lj 32-36
Sónia Morais Santos in http://timeout.sapo.pt/, 27 de Novembro de 2007

Já passei por lá, por coincidência no dia de inauguração, e confesso que fiquei extasiada. Somos transportados para o Reino da Fantasia onde nem sequer falta merchandise do Nightmare Before Christmas (não resisti...).

Bolo de Chocolate


É assim em dia de Bolo de Chocolate - o preferido e muito solicitado - que se lambe e se saboreia antes e depois de cozido!

Rufus no Coliseu

Rufus brilha em Lisboa
Quase três horas de concerto em que Rufus mostrou ser um «one man show».
2007/11/07 por Rita Ferreira (in www.musica.iol.pt)


Pode tê-lo inspirado o passeio por Belém e a ida ao Museu dos Coches onde se sentiu «such a little princess». Mas talvez Rufus Wainwright seja mesmo assim. Um portento em palco, uma voz cristalina, um sentido de humor inatacável.
Ele avisou que estava ali a fazer um show. E cumpriu a promessa. Durante quase três horas, com um intervalo pelo meio, que as estrelas também precisam de recarregar baterias.
O espectáculo abriu com o tema que dá o título ao mais recente trabalho, «Release the Stars», para seguir directamente para uma das músicas mais ouvidas do disco, «Going to a Town». Rufus com um fato às riscas cor-de-rosa choque, cheio de brilhantes, sentou-se depois ao piano para fazer o que chamou de «recap». O Coliseu sem gente nos camarotes ainda ensaiou acompanhá-lo em «Cigarettes and Chocolate Milk», mas depressa se fez silêncio completo. Porque a voz de Rufus enche qualquer sala e importante mesmo é ouvi-lo cantar.
«Art Teacher» arrancou longos aplausos. Depois veio o intervalo. Rufus apareceu vestido com um tradicional fato austríaco. De calções de veludo e meias pelo joelho. Cantou «Tiergarten», comparou Lisboa a Paris - «é bonita na mesma, mas não parece programada». E depois levou o público para o meio das suas pernas. «Between my legs» acabou com a professora de yoga no palco, porque em Lisboa ninguém se candidatou a fazer a parte falada da música. Mas havia mais. Muito mais.
A certa altura Rufus afastou-se do microfone e cantou mesmo assim, sem altifalantes, uma música celta. Toda a gente ouviu. E aplaudiu de pé.
Depois Rufus foi-se embora. Mas voltou. De roupão branco. Cantou Judy Garland e, com a mãe ao piano, fez uma portentosa interpretação de «Somewhere Over the Rainbow». Poderia pedir-se mais? Talvez sim. Quase a bater as três horas de concerto, Rufus sentou-se numa cadeira mesmo na beirinha do palco. Pôs um anel de brilhantes, uns brincos, pintou os lábios de vermelho e calçou uns sapatos de salto alto. O número de cabaret foi hilariante e mostrou o sentido de humor do escritor de canções, que conseguiu brincar com a sua homossexualidade assumida. É verdade... Disse ele que estava disponível. Just in case...

E depois do concerto, juntaram-se os 3 à esquina e a noite prolongou-se até às tantas... (foto emprestada do Já cheiro o samádhi).

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Byblos


Byblos, a maior livraria do país
A maior livraria de Portugal vai abrir as suas portas a 6 de Dezembro, em Lisboa, na zona das Amoreiras. Com 3300 m2 só de área comercial (mais 700 de serviços administrativos) e um catálogo de 150 mil títulos disponíveis, a Byblos representa um sonho antigo de Américo Areal, até há pouco dono e editor da ASA. Uma livraria de fundo editorial, que quer ser a «primeira livraria inteligente» no nosso país e ter disponível a totalidade do catálogo das chancelas nacionais. O JL revela o que vai ser este novo (e único) espaçoFalta apenas um mês para a inauguração.No entanto, uma grande zona em obras pouco deixa adivinhar o que aí vem. O espaço, com uma área bruta de 4000 m2, divide-se por dois andares. Ainda cheira a tinta, madeira, cimento. Um olhar mais atento permite vislumbrar estantes vazias, por entre o pó, os coriscos decorrentes da soldadura, o estuque e as várias dezenas de trabalhadores que por ali circulam. E são estas estantes o único indicador do que vai nascer nesta imensidão. Será (de longe) a maior livraria do país. Um sonho antigo, com mais de uma década, que Américo Areal nunca abandonou. Criar, de raiz, uma livraria, onde o leitor pudesse encontrar qualquer título, que reunisse os fundos de catálogo das editoras portuguesas. E onde, acima de tudo, se sentisse bem confortável. Aliás, conforto é a palavra de ordem na Byblos, que inaugura a 6 de Dezembro, se tudo correr como planeado. Mesmo a tempo do Natal, ponto alto da venda de livros em Portugal.Contudo é impossível não questionar. Num país onde os índices de leitura são baixos, e no qual um estudo recente revela que mais de metade da população não comprou nenhum livro no ano anterior, como fazer vingar uma estrutura desta dimensão? Como assumir um risco de elevado valor monetário? Américo Areal sorri. É um sonho, afinal. E acredita que o mercado do livro é lucrativo, apesar das queixas constantes de muitos que trabalham no sector ou não fosse ele o anterior dono da ASA, uma das maiores editoras do nosso país. É, pois, por experiência própria, que sabe que o mercado do livro pode, efectivamente, ser rentável. Desde que bem analisado, com uma ideia cimentada na experiência e no conhecimento do ramo. Acima de tudo nota-se o seu orgulho enquanto nos mostra o espaço. Ou as projecções em 3D, de como este ficará. Assim o permite a tecnologia nos dias que correm. «Diga lá, está bonito ou não está? Diga que sim!», exalta-se quando deixamos passar um pormenor de que gosta especialmente, como um candeeiro. Ou um sofá, acabado de chegar, onde nos pede para sentar. «Preciso que alguém me diga se é ou não confortável. Então?», questiona na expectativa. É confortável, sim. Mas, se não o fosse, nunca o admitiríamos. Seria, no mínimo, cruel arrasar todo o entusiasmo patente na voz e no semblante.
Um espaço high-tec
Orgulho, pois. E não é para menos. Para além da magnitude do espaço, do detalhe cuidado da arquitectura (projecto do gabinete alemão, Kreftbrübach, especializado em conceber espaços para livrarias), e dos muitos títulos que aí estarão disponíveis, esta será uma livraria high-tec. Dada a enormidade do lugar, e a variedade de obras oferecidas, foi criado um sistema, «único no mundo», que permitirá ao utente encontrar rapidamente o livro que deseja. Se, por um lado, cada livro terá o seu lugar específico em estantes devidamente numeradas, por outro, através de um chip colocado em cada exemplar, será possível encontrá-lo por GPS, caso esteja fora do sítio. Para tal, basta aceder a um dos vários plasmas sensíveis ao toque, que estarão dispostos pela livraria. Ao digitar o nome da obra o computador indica onde esta se encontra. E, para aqueles a quem a tecnologia ainda não conquistou, serão muitos os empregados disponíveis para ajudar. Todos terão um equipamento que, sincronizado com o chip dos livros, lhes indica quais estão fora de sítio, para que os possam repor na devida estante. Mas a tecnologia não se fica por aqui. Uma vez que é difícil, se não impossível, expor 150 mil títulos, existe um armazém para guardar os livros com menos rotatividade. Mas o leitor pode aceder-lhes facilmente, através de uma estante em vidro. Basta escrever num ecrã o título da obra desejada, que um sistema robotizado a trará ao próprio. Através da estante. Tecnologia, então. Sim. Mas escondida. Apenas presente para ajudar e tornar a experiência da livraria o mais cómoda possível.Porque o objectivo é tornar a ida à Byblos «uma experiência.» Ou seja, não se deseja que o público vá à loja apenas para comprar um, dois, três ou 50 livros, mas também para usufruir do local e do que este pode proporcionar. Para tal, criaram-se várias zonas dentro da livraria, dirigidas a públicos diferentes. Por um lado, cada estilo literário terá o seu espaço distinto. Por outro, há uma zona dedicada aos mais novos, com um barco gigante, onde as crianças podem ficar a ler e no qual decorrerão, pontualmente, sessões de leitura. E, à semelhança de outras livrarias, poder-se-á contar com uma cafetaria, que servirá desde bebidas a refeições ligeiras. E zonas com vários sofás onde cada um se poderá sentar a ler.Mas, e apesar de se dedicar especialmente aos livros, há também outros produtos na Byblos. Assim, estarão também disponíveis para o consumidor CDS e DVDS, bem como artigos de papelaria de alguma forma relacionados com os livros e a cultura, e uma secção de revistas, onde se poderão encontrar várias publicações especializadas.Há ainda um recanto, mais vocacionado para um público adolescente, onde se podem jogar videojogos. Mas é na agenda cultural que Américo Areal diz querer apostar forte. Para tal, foi criado um auditório, com capacidade para 100 pessoas sentadas. Aqui o objectivo passa por promover todo o tipo de actividades culturais, desde lançamentos de livros, a concertos ou provas de vinhos. Este espaço é «muito importante», na medida em que faz com que as pessoas tenham vontade de se deslocar à livraria, por saberem que alguma coisa estará a acontecer. E que será sempre «interessante e inovador.» Aliás, hoje este projecto caracteriza-se e distingue-se no contexto nacional pela inovação. Não há igual em Portugal. Mas Américo Areal sabe que é apenas uma questão de tempo. Por isso não tenciona descansar à sombra das conquistas feitas. Até porque, como diz, parar é morrer. Ou, pelo menos, morrer mais cedo. E longa vida é o que se deseja a esta livraria. Porque os livros nunca são demais. Mesmo que não os possamos ler todos. Como disse uma vez Almada Negreiros: «Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.Deve haver certamente outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido.» E não tinha entrado na Byblos, com os seus 150 mil títulos.
Rita Freire, publicado na edição de 4 a 20 de Novembro do JL, sobre a Byblos