quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Rufus no Coliseu

Rufus brilha em Lisboa
Quase três horas de concerto em que Rufus mostrou ser um «one man show».
2007/11/07 por Rita Ferreira (in www.musica.iol.pt)


Pode tê-lo inspirado o passeio por Belém e a ida ao Museu dos Coches onde se sentiu «such a little princess». Mas talvez Rufus Wainwright seja mesmo assim. Um portento em palco, uma voz cristalina, um sentido de humor inatacável.
Ele avisou que estava ali a fazer um show. E cumpriu a promessa. Durante quase três horas, com um intervalo pelo meio, que as estrelas também precisam de recarregar baterias.
O espectáculo abriu com o tema que dá o título ao mais recente trabalho, «Release the Stars», para seguir directamente para uma das músicas mais ouvidas do disco, «Going to a Town». Rufus com um fato às riscas cor-de-rosa choque, cheio de brilhantes, sentou-se depois ao piano para fazer o que chamou de «recap». O Coliseu sem gente nos camarotes ainda ensaiou acompanhá-lo em «Cigarettes and Chocolate Milk», mas depressa se fez silêncio completo. Porque a voz de Rufus enche qualquer sala e importante mesmo é ouvi-lo cantar.
«Art Teacher» arrancou longos aplausos. Depois veio o intervalo. Rufus apareceu vestido com um tradicional fato austríaco. De calções de veludo e meias pelo joelho. Cantou «Tiergarten», comparou Lisboa a Paris - «é bonita na mesma, mas não parece programada». E depois levou o público para o meio das suas pernas. «Between my legs» acabou com a professora de yoga no palco, porque em Lisboa ninguém se candidatou a fazer a parte falada da música. Mas havia mais. Muito mais.
A certa altura Rufus afastou-se do microfone e cantou mesmo assim, sem altifalantes, uma música celta. Toda a gente ouviu. E aplaudiu de pé.
Depois Rufus foi-se embora. Mas voltou. De roupão branco. Cantou Judy Garland e, com a mãe ao piano, fez uma portentosa interpretação de «Somewhere Over the Rainbow». Poderia pedir-se mais? Talvez sim. Quase a bater as três horas de concerto, Rufus sentou-se numa cadeira mesmo na beirinha do palco. Pôs um anel de brilhantes, uns brincos, pintou os lábios de vermelho e calçou uns sapatos de salto alto. O número de cabaret foi hilariante e mostrou o sentido de humor do escritor de canções, que conseguiu brincar com a sua homossexualidade assumida. É verdade... Disse ele que estava disponível. Just in case...

E depois do concerto, juntaram-se os 3 à esquina e a noite prolongou-se até às tantas... (foto emprestada do Já cheiro o samádhi).

2 comentários:

Carla disse...

Foi uma daquelas noites a não esquecer!
Beijoooos

maurobindo disse...

Fui do best! Se o moço voltar eu estou lá.

Beijinhos!