domingo, 22 de fevereiro de 2009

Lux Interior RIP


Apesar de já terem passado mais de duas semanas, não quis deixar de prestar a minha homenagem ao homem que fundou uma das bandas marcantes na minha juventude e que me deu a conhecer "Poison Ivy", esposa de Lux Interior, com quem formou os The Cramps nos anos 70. Que pena não ter visto a última actuação deste grupo em Portugal no Festival Paredes de Coura em 2006, numa noite em que partilharam palco com os britânicos Bauhaus, outra das minhas bandas de culto. Tinha 62 anos e uma energia invejável.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Californication - Season 2

Hoje, no FX, a segunda temporada de Californication. Como gostei muito do final da primeira, em que se deu uma espécie de final feliz em aberto, espero que a nova temporada não venha arruinar esta extraordinária série. Que venham mais cenas do género: dois homens a lutar por uma caixa de tampões numa loja.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

The Crying Light

Dedicado a Kazuo Ohno, mestre de botoh, dança japonesa de parcos movimentos mas de enorme carga dramática, eis o esperado regresso de Antony and the Johnsons. Kazuo representa muito do que é a música deste álbum. Tem mais de cem anos, e espera pela morte. Nessa linha e seguindo por linhas tortas o seu primeiro álbum homónimo de estreia e sobretudo I am a bird now, Antony parece que foi desta para melhor. Parece (bater três vezes na madeira) uma longa carta de suicídio. Bem mais clara que as primeiras. Ou não fosse “Another World” incluída aqui, um dos mais belos tratados de desistência já que se ouviram. Parte de um EP homónimo e algo experimental que passou em 2008 talvez discreto demais para o que merecia, mal recebido por alguns fãs, “Another World” poderia ter-se tornado no epicentro deste sismo de desesperos mas não.

É “Kiss my name”, com uma entrada que não desdenharia nenhum álbum de Tindersticks, que despeja tudo o que vai no coração deste homem algures entre um homem e várias mulheres, a terra e os espíritos, o clássico e a vanguarda. Soa a borboletas a voarem revoltadas, a kiss my ass, a tomem lá sou como sou para depois acabar numa torrente de violinos que soam a esperança num mundo apocalíptico, o que no meio da morbidez desta luz chorosa desperta-nos o sorriso mais amarelo dentro dos amarelos.


A segunda metade do disco levanta voo nessa luz enganadoramente optimista ao fundo de um túnel que acaba em “Everglades”. Hino de cordas exageradas, adágio aos pântanos repletos de vida e morte e de pantanosas sensações. Afinal o Antony que afoga as mágoas de toda a gente e canta que a qualquer momento nos vai deixar, quer-nos convencer que veio para ficar. O velhinho Kazuo a qualquer momento irá, mas Antony fica. Se for por esta música e por essa voz, cada vez mais um super Tim Buckley reencarnado em Candy Darling (ouvir para crer “Aeon”), se for por tudo o que o vai tornando aos poucos num mito, que fique neste mundo e nos encante por muito tempo.

Subscrevo. Tirado daqui.
Nada Nos Falta, porque Nada Somos

Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.
Ricardo Reis, in "Odes"

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Hoje sinto-me assim...


Angústia
Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...

E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

The Cure - The Dragon Hunters Song

Caçadores de Dragões


Caçadores de Dragões - Chasseurs de Dragons - Dragon Hunters

Estavam as minhas filhas a ver o Canal Panda, quando começo a ouvir esta música. "Parecem mesmo os Cure?!" Fui espreitar - e eram mesmo. Lembrava-me do filme (não dei conta de ter passado nas nossas salas) mas não sabia da existência da série. Tento sempre espreitar um bocadinho quando as miúdas gritam: "Os dragões! Os dragões!" O genérico vem já a seguir.

The Mad, Bad World of Nick Cave


Edição de Março da MOJO, absolutamente espectacular. A revista (já cá canta) está um mimo - fotos que nunca tinha visto, muita informação, para além do CD de oferta; no site: tanto para ver/ler/ouvir que podia passar dias ali perdida - meu querido Nicolau, depois de tanto tempo, ainda me perco nas profundezas da tua mente genial (e nos hipnotizantes olhos azuis...).